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quinta-feira, 28 de junho de 2007

Culpado

Já passavam 10m das 0h e ela ainda não tinha aparecido. Rafael, desperançado, pousou o quinto copo que lhe passou pelas mãos desde que estava à espera. Olhou em volta numa tentativa vã de se abstrair da ansiedade que estava a sentir, daquele aperto forte no peito, por se sentir mais uma vez, abandonado. Levantou-se e caminhou desprovido do seu total equilíbrio. Cabisbaixo, cheio de vergonha, alcançou a custo a porta de saída. Lá fora chovia. O vento frio aliviou-o, o cheiro da chuva misturada com os elementos urbanos acalmava-o sempre. O seu peito empurrava-o contra o chão, sentia-se pesado. Apetecia-lhe chegar o mais rápido possível a casa, mas também lhe apetecia não chegar. Sentia-se tonto, as luzes ensurdeciam-lhe a mente, os sons estavam deturpados, não havia música. Riu-se. Se fosse como nos filmes, uma qualquer música bem encaixada no momento, daria cabo dele. Como sempre, esqueceu-se do caminho. Ambicionara perder-se, mais por masoquismo do que por outro motivo qualquer. Sentou-se numa escada, e também ele se abandonou, num sono infelizmente, nada profundo. Quando acordou, horas depois, sentiu-se culpado pela merda de pessoa que era. E odiou-se.

1 comentário:

x4x_it disse...

Todos temos um pouco de Rafael dentro de nós. Ou temos, ou tivemos, ou vamos ter um dia.